segunda-feira, 6 de junho de 2011
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Pus o meu sonho num navio
Cecília Meireles
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Quem disse que msn não tem poesia..com Aquino tem!
O tique-taque do relógio me maltrata e consome
As paredes invisíveis desta sala laboral também me afastam do que eu quero
As repetidas batidas no teclado vizinho me encaixotam na rotina
Que faço eu se não fechar os olhos e pensar em ti, minha doce e pequena desnaturada!
rs..Oh meu bom amigo tu também és minha fuga e meu respiro
Sem ti pereço num vazio cheio de gente sobre-vivente
Carência, engano e futilidade rendem muito por aqui
Quando viras me salvar desta torre acinzentada?
Meu coração já está ai antes mesmo d’eu pensar
E mesmo que a razão me batesse, daria o meu amor a ti só para vê-la renegar
Desce logo as escadarias que meu corpo vem correndo atrás deste meu insensato coração
Meu caro poeta não sabes que é piegas repetir palavras descabidas e plagiar título de novelas? Rs.
Lembre-se que somos dois apaixonados, platonicamente próximos e infinitamente distantes como duas paralelas inocentes!
Fale por ti pseudo-donzela pois ai de mim querer ser santo depois daquele vinho..
kkk..que vinho o que seu safado! Não me convidas-te para essa lua mitológica!
Como não tratante, agora sim minha inspiração secou!
Só me restam suas esbaforidas siglas virtuais
E a espera amiga de lhe perguntar um singelo
“Como estás?”
B.G e participação especial do meu amigo e poeta Aquino. Saudades mil.
As paredes invisíveis desta sala laboral também me afastam do que eu quero
As repetidas batidas no teclado vizinho me encaixotam na rotina
Que faço eu se não fechar os olhos e pensar em ti, minha doce e pequena desnaturada!
rs..Oh meu bom amigo tu também és minha fuga e meu respiro
Sem ti pereço num vazio cheio de gente sobre-vivente
Carência, engano e futilidade rendem muito por aqui
Quando viras me salvar desta torre acinzentada?
Meu coração já está ai antes mesmo d’eu pensar
E mesmo que a razão me batesse, daria o meu amor a ti só para vê-la renegar
Desce logo as escadarias que meu corpo vem correndo atrás deste meu insensato coração
Meu caro poeta não sabes que é piegas repetir palavras descabidas e plagiar título de novelas? Rs.
Lembre-se que somos dois apaixonados, platonicamente próximos e infinitamente distantes como duas paralelas inocentes!
Fale por ti pseudo-donzela pois ai de mim querer ser santo depois daquele vinho..
kkk..que vinho o que seu safado! Não me convidas-te para essa lua mitológica!
Como não tratante, agora sim minha inspiração secou!
Só me restam suas esbaforidas siglas virtuais
E a espera amiga de lhe perguntar um singelo
“Como estás?”
B.G e participação especial do meu amigo e poeta Aquino. Saudades mil.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Um dia vou contar a minha filha que tive um vô pescador!
Vô sinto falta do seu pé de valsa..em seus braços até eu, meio sem jeito, virava bailarina. O dia era uma criança, como o senhor na pista de dança, já vi quase o sol raiar e o senhor lá..a bailar. Como o senhor se foi antes de me ensinar o segredo daquela peixada que tanto amávamos! Como o senhor se foi antes me ensinar o nome de todos os peixes que pescávamos em Aruanã.. Ah vô não conheci ninguém até agora que tenha mais energia e alegria que o senhor, lá está o senhor carregando a canoa para a beira do rio, lá vai vovô arrumar a velha caixa d’agua depois de mais uma tarde a pescar, lá vai o Guima comprar picolé para a criançada, lá vai ele para todas as direções! Vô vô..como o senhor se foi sem eu saber se aprontava ou não com as cartas na mão, como se foi sem eu dizer um trilhão de vezes que te amava, como se foi sem me contar direito a história daquela espaçonave! Como vô o senhor foi assim tão derrepente..sem me contar mais uma das suas mil e uma aventuras! Lembro de tantas estórias..da mordida da piranha, da loucura do gigante ‘crocodilo’ que quase virou o barco, do pirarucu que comia crianças, do delicioso bode do Piauí..aliás tudo parecia ser mais gostoso nesse Estado..o que meu paladar parecia sempre desconfiar, já que não existe comida mais gostosa do que a da vovó! Ah vô o senhor foi um tratante em nos deixar! Com quem que vou fazer a orquestra na hora do almoço? Meu prato e copo aqui pedem a batida de uma colherinha..que tão só faço agora. Quem vai dar um trocado para todas as crianças da cidade comprarem um picolé? Como deitar em uma rede sem o senhor está ali numa outra? Como dançar forró sem o alfa-maior? Como comer doce de leite e pudim sem o senhor? Como fazer palavras cruzadas e não rir ao lembrar que o senhor olhava as respostas tão cedo à gente saísse da sala? Como passar pelo quarto da vovó de noite e ver que o senhor não está lá do ladinho dela? Tratante mil vezes tratante..pra quem daremos agora todos aqueles perfumes franceses deliciosos? Como me contentar a procurar o segundo homem mais cheiroso do mundo? Que droga vô..como vou sentir falta das suas mãos, sempre me intrigou a maciez delas! Vou sentir falta da sua mão entrelaçada com a da vovó, vou sentir falta até dos seus resmungos descabidos. Vou sentir falta dos seus olhos com risquinhos de mel. Vou sentir falta do seu relógio de pulso sempre largo demais, vou sentir falta de passar as mãos no seu cabelo, de apertar o seu nariz, de te dar cosquinha e levar uma bronca. Vou sentir falta da sua caneca, dos seus dois dedinhos de leite, vou sentir falta do seu sorriso um tanto malandro! Vou sentir falta das suas blusas listradas, do seu dedo machucado e das suas mãos cruzadas! “Sarinha tira a perna do vô encima da outra, pois faz mal para a circulação”, “Vô bebe mais água!”, “Vô como o senhor não gosta de torta?”, “Vôzinho como o senhor vem para a praia e não entra no mar! (o rio sempre foi seu amor..)”, “Vô porque os doidinhos parecem gostar tanto do senhor?”, “Vô aonde tem camaleão aqui?” Ah vô..as pessoas que não te conheceram perderam viu! Hoje vou procurar uma estrela bem brilhante no céu..
E o senhor pegue um peixão daqueles para mim!
T.a hoje e sempre.B.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Quando vamos sair da sufocante caverna de platão? Lá fora o sol nos espera..
"Velho burocrata, meu companheiro aqui presente, ninguém nunca fez com que te evadisses, e não és responsável por isso. Construíste tua paz tapando com cimento, como fazem as térmitas, todas as saídas para a luz. Ficaste enroscado em tua segurança burguesa, em tuas rotinas, nos ritos sufocantes de tua vida provinciana; ergueste essa humilde proteção contra os ventos, e as marés, e as estrelas. Não queres te inquietar com os grandes problemas e fizeste um grande esforço para esquecer a tua condição de homem. Não és o habitante de um planeta errante e não lanças perguntas sem solução: és um pequeno-burguês de Toulouse. Ninguém te sacudiu pelos ombros quando ainda era tempo. Agora a argila de que és feito já secou, e endureceu, e nada mais poderá despertar em ti o músico adormecido, ou o poeta, ou o astrônomo que talvez te habitassem. (...)Trabalhando só pelos bens materiais construímos nós mesmos nossa prisão. Encerramo-nos lá dentro, solitários, com nossa moeda de cinza que não pode ser trocada por coisa alguma que valha a pena viver”
Terra dos Homens, Saint-Exupéry
quinta-feira, 19 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Último dos moicanos
Meu deus..devo ter casado e tido esta música como tema em outra vida..só tem essa explicação por eu me emocionar a cada vez que ouço..!
terça-feira, 10 de maio de 2011
Borboletas azuis
Meus pensamentos voam como borboletas azuis numa manhã iluminada
Quem dera eu soubesse aonde pousar e aquietar minhas asas
Para sentir um raio de sol aquecer
minhas fulgidias ideias..
B.G
Quem dera eu soubesse aonde pousar e aquietar minhas asas
Para sentir um raio de sol aquecer
minhas fulgidias ideias..
B.G
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Tarde cinzenta
Foto de Robert Doisneau/ e inspiração de um amigo
Aonde vais nesta tarde molhada?
Que notas tocarás e para quem..
Talvez..num instante sonhado..
Ao final de um último acorde lamurioso
Duas almas tenham se entrelaçado
Consumidas pelo silêncio eloqüente
De um violoncelo apaixonado
O vento enruga o céu espelhado
A multidão de notas ele observa
Na busca de uma canção para sua amada
Em um mundo plúmbeo e frio
Seu coração rege uma orquestra
Em sintonia às finas cordas de um arco
Que há muito ressoam sem partituras
Na espera ansiosa das mãos do amado..
Ainda lembro..
Que as frestas daquela janela não viram o frio da noite se aproximar
Pois o quente ar que tomou a cena ruborizou até o tempo
Deixando o céu escarlate e o vento a sussurrar
Se o violoncelo estremece hoje
É simplesmente..
Em recordação à aquele par..
*Poema feito por dois corações*
Música do filme "A partida"
domingo, 8 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Pintando e bordando a vida de cores
Sentada numa cadeirinha de palha, próxima a uma janela iluminada por raios de sol, que se estilhaçam pelos vidros das coloridas mandalas que ocupam as paredes de todo quarto, minha querida vó Maria Lygia Faria Rodrigue, com seus 85 anos, conta sobre sua vida conjugal. Com olhos brilhantes e arteiros, ela sempre me surpreende com um linguajar deliciosamente sem os pudores e a calmaria costumeira da idade. Ao perguntar sobre os primeiros anos de sua vida ao lado do vovô Luis, ela conta que ao contrário da maioria dos casamentos que morrem lentamente com passar dos anos, o seu casamento começou as avessas.
“Eu não o amava quando me casei. O que eu sentia tinha outro nome..tinha mais cheiro, mais pele, mais paixão. Não conhecia o sexo, mas sabia que era com ele que queria conhecer e desvendar esse mistério. Digo isso hoje, mas na época isso era um pouco mais confuso e amedrontador. Não sei se foi porque era uma época que o mundo estava em polvorosa com a guerra, e não se perdia tempo falando sobre como coisas baixas como corpo e intimidade, só sei que minha a mãe e minhas tias jamais me falaram sobre a pecaminosa palavra – sexo. Minhas amigas eram mais ignorantes que eu assim só tinha idéias rebuscadas, muitas vezes fantásticas e outras assombrosas sobre como seria se deitar com um homem.”
Rindo, ela conta que sua ingenuidade na época era tamanha que quase acabou com o seu noivado porque uma amiga tinha dito que escutou rumores de que seu noivo, e meu futuro vô tinha um membro enorme e que só a faria a sofrer depois do casamento. “Essa idéia impregnou tanto meus pensamentos que nervosa fui conversar com ele sobre isso. Ao escutar minha elucubrações fantasiosas, Luis riu até não poder mais e em seguida me puxou pelos braços e me deu um beijo, que me fez derreter toda, não de medo mais de pura curiosidade e paixão. No dia seguinte, lá estava ele, na porta da minha casa, com um livrinho escondido de baixo dos braços, me chamando. Era um livro científico explicando os mistérios do sexo. Passamos quase a tarde toda debruçados e abraçados sobre o livro, ele concentrado explicando minhas inúmeras dúvidas e eu encantada, não vendo a hora experimentar tudo que dizia e mostrava no livro com ele, só ele..”
Vovó foi casada por 44 anos, e me conta que os longos anos de convivência com o vovô não foram pincelados apenas por amor, alegria e calmaria. Apesar de ter sido muito feliz ao lado de seu grande amor, ela afirma que todo casamento é uma arte, e o seu não foi pintando por mãos calmas, nem cores pastéis e amenas. Como os diferentes quadros e estilos da pintora, seu casamento teve momentos cujo os matizes delicados lembram algumas telas primaveris de Renoir, e outros interstícios mais intensos e angustiantes como as pinturas mais sombrias de Caravaggio.
“Eu e Luis tínhamos temperamentos completamente diferentes, ele era mais reservado e calmo enquanto eu sempre fui mais imprevisível e explosiva. Numa de nossas brigas, uma vez fiquei tão irritada e colérica que joguei com toda minha força uma jarra de suco em sua direção” relembra vovó que até hoje não lembra o motivo de sua exasperação. “Há certas coisas no casamento que é melhor sublimar ou rezar para esquecer” brinca ela.
Para a minha vó artista o casamento só deu certo e se sustentou no decorrer dos anos porque seu companheiro era o melhor ouvinte do mundo. “Tivemos muitas brigas durante o nosso casamento, mas sempre que eu começava a me alterar ele parava de discutir e apenas me ouvia com paciência, não sei explicar mais essa tranqüilidade e segurança que ele emanava sempre me acalmavam no final das contas”.
Segundo ela, seu companheiro parecia entender que seu gênio sempre precisou expressar sem meias palavras a raiva e os ressentimentos que sentia, enquanto ele era mais de guardar seus problemas consigo. “Podíamos brigar o dia inteiro, mas que nunca em nossas vidas dormimos brigados um com o outro, pois ele acreditava que o segredo para um casamento feliz era ter paz ou amor todas as noites em nossa cama”, isso ela me contou um dia desses com brilho nos olhos e saudades no coração..
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Um pulo no Rio
É fantástico viajar como se tivéssemos só sete moedas no bolso, voltamos ainda com duas e mais um bocado de estórias na cabeça. Mal cheguei no rio e me senti deliciosamente gringa . Paguei 60 reais só para sair do aeroporto e entrar numa esquina, onde se encontra meu hostel, o valor que paguei para o taxista daria para passar quase duas noites no El misti, que cobra humildes R$ 38 reais, e com direito a café da manha. Agora que vi a entradinha aprazível da pousada, do lado de um hospital enorme, onde todos só entram passando por uma guarita com segurança, perto de um pão de açúcar, me sinto mais a vontade para desmentir o causo do aumento..rs. A fronteira nunca me pareceu tão próxima, passei por uma portinha de ferro avermelhada e já me senti na argentina, no Chile, na Bahia, na Inglaterra, nos eua e tudo isto num rio muito diverso e esperto.
Entrei com vontade no albergue, com uma mala pesada e assimétrica nas mãos atravessei o portão e dei de cara com uma varandinha meio underground , musica cubana saindo de umas caixas de som um tanto modernas, cartazes em inglês e espanhol, garrafas de caipirinha, vodka, tequila numa mesinha pra lá de abastecida, com direito ate a um guarda chuvinha colorido num copo bebido a pouco. Num sofá que de tanta gente deitar se tornou estranhamente aconchegante, vi de esguela um rapaz meio argentino meio cubano, sei lá a procedência mas conseguia ser mais latino que agente. Tinha um livro nas mãos e um olhar esquisito de enfado que atraíam terrívelmente minha curiosidade por ``casos complexos``..rs mas o peso da bendita mala vermelha foi maior que esta, me obrigando a desviar os olhos e passar por um guri loiro no outro extremo do sofá, que ao contrario do outro me olhava de esguela da mesma forma que fiz com no cubano. Passei reto em direção a uma luz que me recebeu calorosamente, mala de mochileiro pra tudo quanto é lado, cheiro de brownie quente no ar, uma escada estreita a minha esquerda e uma salinha de internet com uns ruivos lá dentro. Eu parecia estar em casa..literalmente! pois ninguém veio para me receber, todo mundo continuava a fazer suas atividades ou sei lá o que, uma baiana tirando o cheiro bom do forno, umas suecas ou de terras afins subindo as escadas falando num idioma carregado de mistérios..soltei minha mala quase num estofado ranhento, mas a mim me pareceu que ele gostava mais de um jeans velho, logo deixei minha mala no chão mesmo, e dito e feito surgiu uma moça logo em seguida para esquentar o sofá e colocar seus tênis já engasgados de tanta poeira mas animado por mais uma aventura.
Arrisquei um ``olá`` que soou quase com sotaque e esperei por uma boa alma, que veio em forma de gente, brasileira, com chinela havaiana arrastando, e um sorriso quase familiar. ``você é a Brunna, do quarto Niterói neh?`` ``Sou sim, mas meu quarto é o de ilha grande não..?`` brinquei..ela pareceu não entender mas mesmo assim sorriu e me recebeu bem. Parolamos um pouco sobre esta cidade ``maravilhosa`` que pouco conhecíamos suas maravilhas e preenchi um papelzim sobre minha nobre estada. Em seguida, ela disse que íamos fazer um tour pelo nosso querido quadrado, e subimos aquela escadinha que lhe falei, ah a arquitetura é fantástica! um banheiro subindo as escadas, de frente, em linha reta, na direção certa do meu aperto! Um momentinho falei, quero conhecer o toilet, ufa..alivio dos pés a cabeça! Prosseguimos, virei a esquerda, direita, entrei num quarto, achei que era o meu, com a mala pesada nas maos meus dedos me jaja me xingariam sem perdão, mas ela disse não, é logo ali no anexo a este quarto, siga em frente. Entrei num quarto de 20m², 3 camas com mais duas encima de cada uma, olhei para o teto, é só lá consegui respirar, qual você vai escolher, me perguntou Valéria, a atendente, ``ahhh a de cima claro sempre quis deixar uma pegada no teto!`` boa escolha, falou ela, os colchões de cima são mais novos..tipo olhei depois, se são novos não quero nem imaginar os velhos..rs mas sem problemas ela me passou uns lençóis limpos, sem odores no melhor dos elogios, na qual forrei meu ninho por duas noites, e ela foi dizendo que eu podia fazer um miojo no fogão e utilizar a geladeira como bem quisesse. E lá foi ela simbora..sem fazer o tour que prometeu, ou cumprindo o prometido de forma resumida.
Mas mudei o foco, vi um corpo deitado numa cama ao lado, pelo jeito com dor de cabeça, mas assim que fui conversando com ela, sua ressaca foi do vinho para água. Seu nome é Paula, revendedora de uma grande loja de bijouteria na argentina, ela sonha em espalhar essa grandeza por estas bandas cá no Brasil. Quase não tem sotaque, pois seus pais moraram com ela aqui por mais de 10 anos, mas tiveram que retornar para cuidar dos pais dos pais dela lá em Buenos. Carismatica Paula falava sobre suas exposições e eu pensava aliviada "ela não tem cara de quem guarda uma faca de baixo do travesseiro ou camisinhas de baixo da saia'. Baixei a retaguarda, joguei a desconfiança de lado, me atirei na cama, e pusemos a conversar sobre o glorioso mercado das bijus, falei o que sabia, aprendi o que não atendia e omiti certas dificuldades para não acinzentar o sonho colorido dela. A fome foi dando batidas na porta do meu estomago então guardei minhas tralhas a sete chaves, literalmente, e fui parar no térreo novamente.
Abri o portaozinho e lá estava eu de volta ao Rio, com suas buzinas atiçadas, loucas e neuróticas para retornar a garagem depois de mais um dia de trabalho. Tentava chegar ao mercado, pão de açúcar, mas o transito agoniado não deixava, passei quase quinze minutos até o bendito sinal, resolver trabalhar e me deixar passar. Comprei bananas, goiaba, barrarinhas, água e clarooo muito chocolate a ponto de querer deixar o resto de lado..rs mas minha consciência rangeu, deixando eu só a solitária goiaba para trás, pois me lembrei que tinha café da manha na pousada, arrastei mais um chocolate para a cestinha e me fui alegre e saltitante para o portão vermelho, entrei, ahh o mexicano não tava lá com seu livro.., fui direto para cozinha e encontrei a Bahiana, que não era bahiana coisa alguma mais falava um carioques pra lá de arrastado e engraçado. Guardei as águas na geladeira e ficamos papeando, chegou uma paulista e entrou na conversa também, um certo momento entrou na cozinha o Beto, pensa num carioca caricatural, moreno claro, cara de malandro bom, risinho esculachado, bom de conversa, rimos até das peripécias dele com as gringas..ah as gringas, vindo dele todas pareciam carentes, derretidas e sedentas de carinho dele..rs não sabia se ria ou esbugalhava os olhos, uma sueca pediu ele em casamento, a inglesa lhe pediu um filho e outra lhe pediu um romance tirado daqueles folhetins picantes só encontrados em banca, rs..que mel ele tem eu não sei, nem quero parar pra imaginar..rs mas o malandro é boa gente, quando não é uma maquina de realizações femininas claro..sic.
Comi um macarrão gostoso e quase acabei com o brownie do café da manha, daí me despedi e subi, mas antes de chegar ao meu destino conheci uma senhora, meio tristinha, precisando de um ouvido, o marido dela está internado no hospital ao lado, fez uma cirurgia complicada mais este recuperando bem, graças a deus. Não conheci o marido dela, mas toquei seu coração literalmente, pois em menos de um minuto de conversa lá foi ela pegar um frasquinho e colocando nas minhas mãos aquela veia do coração, esqueci o nome, orta, carótida, não sei bem, mas lá estava eu com um pedaço do coração do homem nas mãos! Passamos quase um século, para mim o foi, falando sobre calcificação das veias, entupimento, sacudindo o vidrinho para analisar não sei o que, cor, gordura, e não sei mais o que, aii alivio ao saber que ele conseguiu uma veia animal novinha! Não lhe perguntei de que bicho, soprando minha curiosidade mórbida para longe. Me despedi pela centésima vez e cheguei no meu quarto (dois passos do dela), ou melhor, meu e de mais nove. Agora vou tomar um banho e experimentar aquela caipirinha lá em baixo..
segunda-feira, 28 de março de 2011
O eterno retorno das fitas descartáveis
Neste último fim de semana peguei uma sessão de cinema com minha mãe. Não tinha lá muitas opções então resolvemos ir no par ou impar mesmo, e acabamos vendo aquele filme chamado “A Invasão do mundo: Batalha de Los Angeles!”. Que azarenta escolha!! Mas me perguntei na saída - aquela luz do fim túnel tão almejada..rs -, o que eu esperava além do que foi passado/jogado? Filmes hollywodianos minha gente..bandeira do EUA tremulando, uma imagem sendo comida pela outra, mocinhos americanos lutando bravamente para salvar seu país dos russos, cubanos, vietcongs, reformistas ou ets!!
Os diálogos são tão pobres que nos deixam com a impressão de sermos mais inteligentes..rs parecemos entender tudo tão bem, tudo é tão claro, obvio e repetitivo, que qualquer moleque que esteje beijando sua peguete lá nos fundos, consegue beijar e entender de forma satisfatória! Sabemos praticamente quase tudo do que vai acontecer do inicio ao fim da película apocalíptica. Com roteiros tão pobres e vazios é preciso supervalorizar os efeitos especiais, que admito serem os americanos os mestres da mentira. Mas não considero a mentira ruim, pelo contrário, ela pode se tornar fantasia e poesia nas mãos de um bom diretor..uma amiga minha sempre implica por eu gostar daqueles orientais voando..planando naqueles bambus, com sua espada na mãos prontos para enfrentar quase os mil soldados de Qin que os impedem de reencontrar seu amor, e esta, geralmente estar a esperar duas ou mais estações com a adaga no peito para selar o último e tão esperado beijo. Mentiras com um bom roteiro mexem com nossas fantasias, desejos e anseios, mas naquele mundo imagético dos filmes americanos, só nos restam fragmentos. Na tela as imagens se devoram numa orgia alucinada, sem nos dar tempo para assimilar, pensar ou ver certos detalhes. As histórias geralmente são repetitivas regurgitadas de uma fita descartável anterior, mas conseguem atingir o público pelas cenas de ação mirabolantes, pela necessidade das pessoas em gastar o tempo com inutilidades divertidas, e sentir tudo de forma efêmera. São raros os filmes que saímos com aquela inquietude no peito, e geralmente estes, não estão nas salas de cinema. Nestes até o silêncio se torna eloqüente..,um olhar pode ser perturbador, a realidade crua e nua nos choca a tal ponto que por vezes preferimos achar que é mera ficção..
Segue uma lista de alguns filmes aleatórios que a meu ver valem a pena
* Filhos do Paraiso
* Pantaleão e as visitadoras
* Nascidos em bordeis
* Head on
* Sick - plano de saúde americano
* O profissional - de luc besson
* Adeus Lênin
* Billy Eliot* Distrito 9
* Natureza Selvagem
* Nós que aqui estamos por vós esperamos
* Equilibrium
*Albergue Espanhol
* Morro dos ventos Uivantes
* Peixe grande e suas histórias maravilhosas
* Hotel ruanda
* Natureza Selvagem
* Ensaio Sobre a cegueira* My blueberry nights
* Tartarugas também voam -
* Homens que não amavam as mulheres
* Oldboy - o coreano (muito doido)
* 1984
* Menino de pijama listrado
* Experiencia ( não é aquele dos aliens..mas sim o de um experimento que rola com os prisioneiros)
* Moom
* A Partida - sem palavras do qnt gostei deste filmeee..!
* Clã das adagas voadoras
* Dogtooth ( vi o trailer hoje quero muito ver)
* sobre meninos e lobos
*Pequena Miss sunshine
* Memórias de uma Gueixa
* Mar adentro - muito bomm!
* Gataca
* Grande Sertão Veredas (Série)
* A cor do paraiso
* Dogville - ficamos com uma sensação estranha no final..rs
* Viagem de Chiriro
* Janela da Alma (doc)
* Vick Cristina e Barcelona
* Corporação (doc)
* Zeitgeist
* Brilho eterno de uma mente sem lembranças
* Frankenstein
* Irreversivel
* Onegin
* Labirinto do fauno
* Edukators
* O piano
* Má educação
* O homem elefante
* Auto da compadecida
* Che guevara - diários de uma motocicleta
* Amores brutos
* Segredo dos seus olhos
* Encaixotando Helena
* Lolita
* Camille Claudel
quarta-feira, 9 de março de 2011
Todo político é ladrão e todo eleitor honesto claro..!
Ultimamente tenho escutado uma frasezinha, que vem arranhando meus ouvidos cada vez mais.. Esta bendita frase “todo político é ladrão” vem sempre acompanhada de um tom descrente e apático ou é cuspida como um axioma. A proposição, sempre me pareceu um tanto estranha..não tanto pela tamanha generalização mas sim, porque ela me parece querer ser perfeitamente completada com a assertiva “..e todo eleitor é honesto.” ora..creio ser mais próximo da realidade dizer que “temos um político corrupto para cada 10 mil eleitores corruptos”, separar o joio do trigo hoje não é uma tarefa fácil, pois se olharmos com mais atenção veremos que muito do reluzente trigo não é tão limpo assim. O que faz um político ser tachado de joio mais rapidamente é o fato de este ser olhado e monitorado com mais atenção do que os eleitores, que quando muito são apenas percebidos em época de eleição.
Mas não se engane..ambos podem fazer o mesmo pão amargoso, a diferença - está na intensidade. E esta amplitude é definida pelo poder que estes tem em mãos. E digo amplitude, pois creio que o poder, acima de corromper, somente intensifica o que já foi anteriormente corrompido. Os nossos políticos desonestos e ladrões nada mais são do que produtos da nossa sociedade. Criamos e alimentamos estes, com doses homeopáticas de comodismo, individualismo, narcisismo e egoísmo. O que separa os políticos dos cidadãos é somente uma urna, tirando esta, tudo volta para o mesmo saco. Há eleitores tão corruptos quanto estes políticos que são condenados por esses mesmos eleitores. Os magnânimos cidadãos que vão as urnas somente são camuflados pela sua pequenez, perto de uma sujeira mais robusta.
O que é uma tv a cabo ou uma rede cruzada, uma pensão alimentícia intencionalmente esquecida, um advogado que confunde esperteza com roubo, um servidor que recebe para fingir que trabalha, uma justiça preconceituosa, um chefe que suborna seus empregados, um empresário que vive literalmente as custas do trabalho escravo de outras pessoas, perto da sujeirada megalomaníaca dos nossos políticos safados? Um caixa dois volumoso, um pé de meia sensacionalizado pela mídia dá mais ibope!! Além do que..deixa as alma destes “pequenos” corruptos diários mais leve..mais cidadã neh..! O circo político em que vivemos só existe porque permitimos, só não somos a platéia horrorizada que tanto que acreditamos, mas sim os palhaços da própria arena..
B.G
Mas não se engane..ambos podem fazer o mesmo pão amargoso, a diferença - está na intensidade. E esta amplitude é definida pelo poder que estes tem em mãos. E digo amplitude, pois creio que o poder, acima de corromper, somente intensifica o que já foi anteriormente corrompido. Os nossos políticos desonestos e ladrões nada mais são do que produtos da nossa sociedade. Criamos e alimentamos estes, com doses homeopáticas de comodismo, individualismo, narcisismo e egoísmo. O que separa os políticos dos cidadãos é somente uma urna, tirando esta, tudo volta para o mesmo saco. Há eleitores tão corruptos quanto estes políticos que são condenados por esses mesmos eleitores. Os magnânimos cidadãos que vão as urnas somente são camuflados pela sua pequenez, perto de uma sujeira mais robusta.
O que é uma tv a cabo ou uma rede cruzada, uma pensão alimentícia intencionalmente esquecida, um advogado que confunde esperteza com roubo, um servidor que recebe para fingir que trabalha, uma justiça preconceituosa, um chefe que suborna seus empregados, um empresário que vive literalmente as custas do trabalho escravo de outras pessoas, perto da sujeirada megalomaníaca dos nossos políticos safados? Um caixa dois volumoso, um pé de meia sensacionalizado pela mídia dá mais ibope!! Além do que..deixa as alma destes “pequenos” corruptos diários mais leve..mais cidadã neh..! O circo político em que vivemos só existe porque permitimos, só não somos a platéia horrorizada que tanto que acreditamos, mas sim os palhaços da própria arena..
B.G
quarta-feira, 2 de março de 2011
Sonhos roubados
Datas importantes que serão encontradas no bloco de notas de um pesquisador:
2016: Importante centro de pesquisa brasileiro identifica estranha frequência no plano atmosférico, mais alta e difusa que o sinal AM, FM, Wie e Apls
2018: Pesquisador americano afirma que esta frequência tem seu maior pico a noite e diz ainda não ser freqüência de som, mas sim de um possível canal, na qual só há emite imagens.
2025: Empresa multimilionária Americana se funde com uma grande empresa de pesquisa Chinesa. Estudos secretos: Alta freqüência noturna.
2028: Descoberta em off: A Freqüência se trata dos sonhos das pessoas. Só nesse estágio, o dorminte emite freqüências de seus sonhos/imagens para um plano que se concentra pouco acima dos 7 mil pés. Percebe-se uma cortina densa de energia de grande atividade eletrostática. Devido à altitude da freqüência esta ficou conhecida pelos pesquisadores como freqüência “do sétimo plano”.
Em off 2035: Empresa Skyline, emite a primeira imagem codificada do sétimo plano. Imagem do sonho “Garotinha se escondendo dos pais com uma máquina fotográfica nas mãos, flash a todo momento..” imagem difusa/ sem som
2055: Interesses econômicos começam a surgir...
2062: Jovem pesquisador Chinês consegue pela primeira vez inserir na freqüência códigos similares no 7° plano; Empresa skyline patenteia a idéia do jovem.
2067: Teste mega publicitário em off: Freqüência da coca-cola é codificada e transmitida em serie na noite do dia 23/12/67 ao respectivo 7° plano estudado..
Dia seguinte: Milhares de pessoas acordam com uma estranha vontade..
Nos bastidores o Sistema comemora...rs
Ano 2116 - Início
Eles me vigiam. Tento disfarçar que eu sei, mas sinto que eles me espreitam, meus olhos cada dia ficam mais injetados e avermelhados. Não durmo há meses, aliás, faz exatamente 122 dias que não me entrego aos lençóis macios de Morfeu. Os efeitos disso, tento esconder da melhor forma que posso, uso óculos escuros quase sempre, compro uma ou duas quinquilharias “da moda” todos dias para que eles não desconfiem do meu cartão apaticamente branco; meus dias são escalas de cinza como o céu morto sobre minha cabeça. Dia após dia tenho mais dificuldade em me adequar a este sonambulismo intragável que consome as pessoas. Todos parecem sonhar acordados com o Vazio. Mas não se engane, não é um vazio comum, é um Vazio mortal, daqueles que ocupa todos os remansos lentamente com inutilidades, com ilusão atrás de ilusão. Pelas ruas abarrotadas parece que ninguém percebe que há algo errado. Ninguém se dá conta de que os cordões umbilicais do Sistema estão fincando ininterruptamente em nossos vácuos, alimentos que satisfazem pura e unicamente o “Bloco”. Pelo contrário, todos só parecem estar em busca do paraíso prometido que o Mercado finge oferecer.
Sinto um inferno no peito ao ver que fomos tragados para o ventre do Sistema. Sim, hoje somos malditos adultos de proveta, regredidos a tal ponto que sinto a alma do mundo se estreitar, para dar lugar a este invólucro chamado corpo. Não sei exatamente quando começou esta metamorfose às avessas, pois hoje não temos mais acesso ao passado longínquo, mas afirmo, algo em nós se perdeu. Os olhares podem ser lustrosos, estimulantes e apressados, as bocas sorridentes, lânguidas e autômatas, mas sinto que jogamos fora o gomo vital para endeusarmos somente cascas.
Vago nas madrugadas pelas ruas sujas da cidade para evitar que o sono me entorpeça e me alcance com seus braços maternos e suas tetas cheias de sonhos quentes. Sonhar se tornou meu grande pesadelo. Se algum dia o sonho foi algo particular, um universo paralelo e secreto só nosso, na qual, podíamos viver nossas fantasias silenciosas provindas do inconsciente, hoje não mais. Aliás, confesso que antes destas noites insones nunca tive um sonho que não fosse monitorado, seqüenciado e recheado de desejos externos. Dormi minha vida inteira sem saber o óbvio – que os sonhos não mais pertencem aos sonhadores – mais sim ao Sistema.
O próprio sentido da palavra “sonhar” se tornou oco e estéril há muito tempo. Desde minha descoberta, não durmo, ou melhor, não sonho. Todas as semanas, escondido como um rato de esgoto vou a procura dos Chinas, no mercado negro e pago-lhes uma alta soma para conseguir as malditas cápsulas azuis que tomo na ânsia de descansar meu corpo e meu espírito, se ainda me resta algum. Com elas me sinto bem, ao menos parte, sinto uma paz inexplicável de estar sozinho comigo mesmo. É como se uma névoa envolvesse meu corpo, deixando-o dormente, estas drogas não me fazem apagar, mas sinto a sensação da minha mente ir se desligando aos poucos e deliciosamente, vou morrendo em vez de dormir, um resquício de paz, sem ninguém exigindo ou me incitando nada, sem as infernais marcas por todos os cantos, ou jogos fantasiosos que me faziam gozar numa eterna insatisfação; sem os miseráveis deuses paternais fantasiados de professores, políticos, religiosos ou pseudo-amigos nos “ajudando” a aceitar e gostar uma realidade ou de uma pessoa, sem aquele zumbido vindo dos horizontes ou das grades do sonho, que sempre ecoa - com acordes doces ou primitivos - valores e comportamentos adequados ao Sistema, não..não é nada disso, o liquido azul me oferece algo que nunca tive, não poderia descrever como bom ou ruim, somente um pseudo-descanso a olhos abertos, um apagão da minha realidade, um distanciamento de toda aquela mediocridade e fantasia louca vivida em dose dupla por nós. Só drogado desta maneira consigo fugir deles, porque a freqüência das minhas alucinações não estão no mesmo plano que o sonho. Mas se fujo deles o mesmo não acontece com meu corpo..no dia seguinte...(continuar)
Antes de contar minha estória, ou melhor, deste presente sombrio e sem alma na qual a da sociedade sobre-vive hoje, é preciso voltar ao passado, a data precisa de uma noticia de esquina dada em 2016. A pouco mais de um ano, remexendo o lixo que sobrou de uma encarquilhada biblioteca, em baixo de todo aquele pó escuro de folhas queimadas, - sem justa causa - que hoje eu sei, encontrei um porão, que, se não era secreto, se tornou, devido a uma feliz displicência dos encarregados de transformar um pedaço do nosso passado em fuligem, com suas lança-chamas. Em minha infância estas pareciam dragões ferozes a soltar jatos fumegantes em todas as estantes das inúmeras bibliotecas do país. Ainda me lembro que todas as mídias e nosso paterno presidente, diziam era para nosso bem, pois segundo eles os livros estavam infectados por cepas de microfungos mortais para os seres humanos.
Mas voltemos ao meu feliz encontro com aquela saleta tão preciosa. Lá estava eu, na pequena e abandonada biblioteca perto da minha antiga casa, um insone alfa-maior, que a três noites não dormia direito, ou melhor, sequer fechava os olhos. Antes de resolver me embrenhar dentro da noite, pensei até em tomar meus remédios para acalmar minha insistente amiga noturna – tais medicamentos eram dados de graça em qualquer posto de saúde – pois a muito que os grandes médicos diziam que a insônia deveria ser um mal do passado, e que este século prezava pelo sono “saudável” – Mas algo não me deixou tomar, talvez porque eu estivesse cansado demais para me entregar aos meus próprios desejos – que depois como irei explicar, jamais foram meus – ou simplesmente porque senti uma vontade estranha de entrar de novo na velha biblioteca que vi ir a baixo pelo fogo, quando era menino.
A imagem das labaredas tomando conta das inocentes paredes brancas, das folhas se retraindo como se estivessem sentindo uma enorme e impiedosa dor invadiu-me naquela noite, com a mesma força de quando era aquele menininho de 6 anos, na frente da multidão olhando hipnotizado e sem entender o motivo daquilo tudo. Mais do que assustado senti uma enorme pena do lugar ou quem sabe de nós mesmos. Um sentimento de perda e desesperança me tomou naquele dia, sem que eu conseguisse explicar. São poucas as lembranças deste episódio da minha vida, aliás, parece que ninguém, nem mesmo meus pais guardaram muita coisa daquela triste despedida dos livros.
Depois do estranho evento, as editoras pararam aos poucos de produzir livros, mas ninguém parecia sentir muita falta dos mesmos, porque a venda de e-books, ipad, ipounds...avançava e se tornava cada vez mais popularizada e desejada. Mas enfim, meu passado se esconde atrás de muros e mais muros que foram cimentados pelo lixo mercadológico que eles me impuseram ao longo da minha vida. Em minha ânsia por encontrar algum resquício do passado, ou ao menos para folhear algo, que não fosse o maldito jornal eletrônico, feito de frias películas composta por transistores e circuitos transparentes, que desde 2089 tomaram conta do mundo por ser mais prático, moderno e seguro às pessoas depois do “incidente dos fungos esfomeados de cultura”...
B.G
B.G
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Lista do que eu quero fazer/sentir antes de partir em uma estrela cadente:
1. Subir num pé de amora em uma tardezinha e comer todas as amoras que desejei pegar até hoje
2. Lavar um carro imundo de um estranho qualquer sem ele saber
3. Ver uma aurora boreal
4. Fazer curso de mergulho e brincar de procurar tesouros em um mar lindo
5. Fazer um mochilão- ok
6. Ter telepatia com alguém
7. Escrever um livro
8. Aprender a fazer torta alemã
9. Ser a primeira a ler o livro da minha mãe
10. Ver um arco-íris triplo
11. Comer cookies que eu mesma preparei
12. Abraçar com todo carinho um grande amigo(a) de infância quando eu ficar bem velhinha
13. Faltar ao trabalho por ter um motivo muito muito bom – OK!
14. Fazer anjinhos na neve
15. Se emocionar em um espetáculo de tango – OK!
16. Dar um cachorro chamado “Paçoca” para minha filha
17. Gritar EU TE AMO com todo meu coração
18. Ouvir minha música predileta tocada por peruanos no meu casamento
19. Tomar água de coco do pé que plantei
20. Ter coragem de saltar de bungee-jump
21. Conhecer vários cantinhos lindos do mundo com as pessoas que amo
22. Fazer brigadeiro até não poder mais para a festa de alguém especial
23. Ir a Portugal com minha mãe
24. Aprender a dançar tango
25. Acampar sem medo com meu irmão na Chapada
26. Aprender dezenas de coisas que só as crianças sabem
27. Cometer duas ou três loucuras que me faça resmungar e rir ao mesmo tempo quando ficar veinha
28. Fazer Rapel – OK!
29. Comprar uma lata de tinta bem colorida para eu pintar livremente uma parede da minha casa
30. Sentir uma borboleta azul pousar em mim
31. Jogar bolas de neve nas pessoas
32. Rir tanto até sentir dor na barriga – ok!
33. Tomar sorvete direto do pote numa tarde inusitada
34. Chorar de tanta alegria - okk
35. Tomar banho pelada em uma cachoeira linda
36. Aprender a tocar violino
37. Me apaixonar uma duas três .. vezes pela mesma pessoa
38. Aprender todos dias algo interessante, nem que seja uma piada
39. Ajudar verdadeiramente uma pessoa
40. Saltar de parapente – ok!
41. Comer algodão doce com minha filha num por do sol
42. Usar o elevador uma vez p algo que não seja subir e descer
43. Ter coragem de saltar de ponta cabeça um dia
44. Sentir que fiz a diferença para alguém
45. Pegar o carro e viajar sem rumo, ou melhor, no rumo do meu coração
46. Sentir ainda mais a presença de Deus em mim
47. Ter mais tempo para contemplar a natureza
48. Adotar um filho
49. Comer os chocolates que eu quiser sem preocupação com a balança
50. Ouvir um Eu te amo sem aviso
51. Criar um objeto que não existe
52. Saltar de para quedas – OK!
53. Conhecer Fernando de Noronha
54. Acreditar sempre no meu potencial
55. Fazer um curso de fotografia
56. Ensinar inglês para meus filhos sem eles rirem de mim..rs
57. Compartilhar as alegrias ao lado dos meus irmãos e dividir suas tristezas
58. Passear num balão de gás colorido de ar quente
59. Dizer todos os dias o quanto eu amo e admiro minha mãe
60. Acreditar sempre que posso fazer o mundo um pouco melhor começando com meu interior
61. Chegar em Machu Picchu – OK!
62. Fazer uma viagem a pé
Outro dia me peguei comparando a televisão a um espelho, não um espelho desses qualquer, pois este por mais que tenha inúmeras lendas por detrás de sua superfície, simplesmente reflete nossas linhas e formas, tal qual somos, com o peso da realidade ali estampado, para nosso encanto ou não.. Refiro-me mais a um espelho às avessas, tirado de um conto de fadas para adultos, na qual o sujeito não fabrica mais a imagem, onde o reflexo não se move em sintonia com o individuo, mas sim somos nós que imitamos o que se encontra do outro lado da tela mágica. A imagem atualmente deixou de ser apenas o reflexo para se tornar mais Sujeito que o próprio Ser. Este, cada vez mais esvaziado de sua própria identidade, vem buscando desesperadamente moldar seu “Eu”, com estereótipos mercadológicos divulgados, replicados e regurgitados pelos meios de comunicação em massa.
Como narcisos, as pessoas estão cada vez mais deixando de lado a realidade para viver o gozo da imagem, do virtual. Na ânsia de fugir de sua pálida rotina, buscam preencher a “vida” com fantasias e idealizações difundidas pelo Sistema. Do outro lado das modernas telas, que mais nos parecem janelas para um mundo melhor, tudo parece mais belo, lustroso e estimulante. Sentados na própria vida, prostrados naquele sofá manchado por baba de cachorro, papa de criança e uma gotícula solitária de sexo, muitos se entregam sedentos aquela bela miragem, de uma vida cheia de aventuras das quais não vivem, de paixões que não sentem e da sonhada fartura que a família geralmente não tem. Hoje se acompanham mais as tramas novelescas do que os próprios dramas, estes, cansados de tanto esperar por ações, vão se acumulando nos cantos empoeirados da nossa mente. Mais nos masturbamos internamente com os belos corpos inatingíveis da TV do que fazemos sexo com nossos companheiros. Compramos aquelas grifes veiculadas nas propagandas que cheiram a fama e poder, pois as confundimos com identidade. Hoje o “ter” se tornou sinônimo de “ser”, objetos estão adquirindo características humanas, produtos mostram quem é aquela pessoa que os possui.
Consumimos tudo e a todos de forma desenfreada, na vã promessa de realizar nossos desejos. Mas nossos sonhos são hoje sonhos massificados, domesticados. Acreditamos ser livres para fazer o que bem desejamos, ledo engano..pois a maior cartada do Sistema é essa, nos fazer crer que necessitamos verdadeiramente daquele carro quase falante, da loira boazuda que parece sempre estar um passo do orgasmo (sic..auto), das lingeries fatais que prometem noites suadas com quase semi-deuses, que precisamos daquele celular que guarda o mundo dentro de si e outros tantos objetos e parafernálias que nos compram por meio da coação psicológica. Como bem disse Ferrés, na maioria das vezes as pessoas não fazem o que internamente desejam, simplesmente agem conforme doutrinamentos e imitações. Fazer o que se deseja verdadeiramente é para poucos..pois a verdade é que somos ininterruptamente levados a desejar o que interessa que se deseje. Se o Sistema prega a liberdade acima de tudo, é porque esta foi presa em uma gaiola chique, confortável, cômoda. Alienante a tal ponto que nos engaiolamos sem ao menos saber/sentir que cada vez mais nos tornamos um bichinho mercadológico vivendo do farelo deles..
Brunna Guimarães
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Não mais Angios
Nossa alma se estreita neste invólucro chamado corpo
A pele se torna hoje o recheio mais almejado
Jogamos fora o gomo vital para endeusarmos somente cascas
Nosso fruto perdeu seu Angio e só deixou spermas soltos num oco estéril
Eternas sementes imaturas, refogadas na anilina e enlatadas em massa
Lustrosas, estimulantes, cósmicas ou juvenis
Vende-se em pedaços o paraíso prometido
Cada bago uma soma de ilusão, eterna maçã proibida sedenta por uma boca lânguida
Suculenta nos baixios da língua mas seca como pedra depois de mordida
Seus sabores são inúmeros mas seu acorde último é sempre uma amarga insatisfação
Bendito hoje é o Ventre que mais nos engole do que dá frutos
Os cordões umbilicais do Sistema se fincam em nossos vácuos
E nos alimentam com valores mercantis..
A pele se torna hoje o recheio mais almejado
Jogamos fora o gomo vital para endeusarmos somente cascas
Nosso fruto perdeu seu Angio e só deixou spermas soltos num oco estéril
Eternas sementes imaturas, refogadas na anilina e enlatadas em massa
Lustrosas, estimulantes, cósmicas ou juvenis
Vende-se em pedaços o paraíso prometido
Cada bago uma soma de ilusão, eterna maçã proibida sedenta por uma boca lânguida
Suculenta nos baixios da língua mas seca como pedra depois de mordida
Seus sabores são inúmeros mas seu acorde último é sempre uma amarga insatisfação
Bendito hoje é o Ventre que mais nos engole do que dá frutos
Os cordões umbilicais do Sistema se fincam em nossos vácuos
E nos alimentam com valores mercantis..
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